IA seus desafios de mensuração de Tokens

IA seus desafios de mensuração de Tokens

Depois de mais de três anos de expansão da IA generativa e do boom de modelos como ChatGPT e Gemini, o mercado e a sociedade foram, aos poucos, familiarizados com um novo conceito: o token. Antes restrito ao vocabulário de desenvolvedores e especialistas em machine learning, o termo passou a aparecer em planos de uso, limites de plataformas, relatórios de consumo e cobranças de serviços de inteligência artificial.

Entretanto, conhecer o nome dessa unidade não significa compreender exatamente o que está sendo comprado. Embora os tokens sejam utilizados para medir o processamento dos modelos de IA, seu consumo não é totalmente objetivo, previsível ou absoluto. Essa dificuldade de mensuração representa um desafio para usuários e especialmente para empresas que dependem da tecnologia para automatizar processos, desenvolver e operar agentes de IA e atender clientes em larga escala.

O que é um token em inteligência artificial?

Token são as pequenas unidades de linguagem que os sistemas de inteligência artificial processam para raciocinar e se comunicar com os usuários. Um token pode ser um sinal de pontuação, uma palavra ou até parte de uma palavra.

Segundo a definição da OpenAI, tokens são os elementos básicos do texto processado pelos seus modelos. Eles podem representar um caractere, uma palavra inteira, um sinal de pontuação ou apenas parte de uma palavra, dependendo do idioma, do contexto e da forma como o modelo realiza a tokenização.

Como referência aproximada para textos em inglês, a OpenAI informa que um token equivale, em média, a quatro caracteres ou a três quartos de uma palavra. Assim, 100 tokens correspondem a cerca de 75 palavras, enquanto um texto de aproximadamente 1,5 mil palavras pode chegar a 2.048 tokens. A própria empresa alerta, porém, que a tokenização varia conforme o modelo, o idioma e a codificação utilizada.

Na prática, os tokens funcionam simultaneamente como unidades de processamento e de cobrança. O problema é que, mesmo conhecendo essa unidade de medida, continua sendo difícil prever quantos tokens uma tarefa realmente consumirá.

LEIA TAMBÉM: IA Generativa: O Que É e Como Aplicá-la ao Seu Negócio

Por que é tão difícil mensurar o consumo de tokens?

Ao solicitar uma tarefa a um modelo, o usuário pode receber posteriormente uma estimativa ou um relatório da quantidade de tokens utilizada. O que normalmente não recebe é uma explicação clara sobre por que aquela atividade consumiu exatamente aquele volume.

Existe uma lógica geral segundo a qual tarefas mais complexas exigem mais processamento e, consequentemente, mais tokens. Contudo, surge uma questão importante: o que cada modelo considera uma tarefa complexa? Uma atividade simples para um profissional pode exigir várias etapas internas de interpretação, consulta e geração por parte de um agente de IA.

Cada big tech também adota modelos, políticas, limites e métodos de cobrança diferentes. Além disso, as plataformas são atualizadas e personalizadas com frequência. Uma tarefa pode ficar mais eficiente depois de uma atualização, mas também pode passar a utilizar mais contexto, ferramentas ou etapas internas.

Por isso, usuários podem atingir limites inesperadamente, ter o acesso temporariamente restringido ou se surpreender com um consumo elevado. A política ainda é nebulosa, sobretudo para quem utiliza interfaces prontas e não acompanha diretamente os dados técnicos de uma API.

Um estudo de 2026 do Laboratório de Economia Digital da Universidade de Stanford, chamado How Do AI Agents Spend Your Money?, ajuda a dimensionar o problema. Entre suas principais conclusões estão:

  • tarefas executadas por agentes podem consumir até mil vezes mais tokens do que interações convencionais de programação;
  • o mesmo agente, realizando a mesma tarefa, pode apresentar variações de custo de até 30 vezes;
  • modelos frequentemente subestimam antecipadamente seu próprio consumo;
  • a dificuldade percebida por humanos nem sempre corresponde ao esforço computacional exigido da IA.

LEIA TAMBÉM: Agentes de IA: A Nova Fronteira da Inteligência Artificial no ChatGPT

Tokens de entrada, saída e cache: entenda as diferenças

Nem todos os tokens possuem a mesma função ou necessariamente o mesmo preço. Os principais tipos são:

Tokens de entrada: correspondem às informações enviadas ao modelo. Isso inclui o prompt, documentos anexados, instruções do sistema, histórico da conversa, dados recuperados de bases internas e outros elementos necessários para interpretar a solicitação.

Tokens de saída: são aqueles gerados pelo modelo como resposta. Textos, códigos, resumos, análises e instruções produzidas pela IA entram nessa categoria.

Tokens em cache: representam conteúdos previamente processados e reutilizados pelo sistema. Em determinadas plataformas, eles são cobrados por uma tarifa menor, pois evitam que partes repetidas do contexto sejam processadas integralmente a cada nova solicitação.

Entretanto, janelas de contexto e memórias muito longas podem aumentar consideravelmente o volume total processado. Agentes que acumulam históricos extensos precisam reler instruções, respostas anteriores, documentos e resultados de ferramentas. Mesmo quando parte desse conteúdo é aproveitada por cache, a manutenção de grandes contextos pode elevar o consumo geral e onerar operações corporativas.

LEIA TAMBÉM: IA Generativa X IA Agêntica: Entenda as mudanças e diferenças entre as tecnologias

Falta de transparência gera sensação de vulnerabilidade

Para quem utiliza modelos de IA, permanece uma sensação de suscetibilidade às políticas, aos limites e às cobranças das big techs. Isso acontece porque sistemas de IA são estocásticos: eles incorporam elementos de probabilidade e aleatoriedade durante a geração de respostas. Duas execuções aparentemente idênticas podem seguir caminhos diferentes e apresentar consumos distintos.

Consequentemente, o usuário nem sempre sabe exatamente o que está comprando ao gastar seus tokens. A unidade mede processamento, mas não garante qualidade, utilidade ou conclusão bem-sucedida da tarefa.

Apesar disso, unidades imprecisas de consumo não são uma novidade. Horas faturadas por consultorias podem variar conforme produtividade e experiência, enquanto programas de milhas aéreas alteram preços, disponibilidade e regras de resgate. Assim como nesses mercados já consolidados, os tokens carregam elementos de variação – mas ainda precisam avançar em transparência e previsibilidade.

LEIA TAMBÉM: Prompt Injection: Entenda os riscos da manipulação de modelos de IA

Curadoria e arquitetura reduzem desperdícios de tokens

No ambiente corporativo, em que custos tecnológicos influenciam diretamente receita e lucratividade, utilizar IA de forma eficiente exige mais do que escolher um modelo avançado. É necessário realizar curadoria de processos, testar prompts, definir janelas de contexto, limitar memórias desnecessárias, monitorar indicadores e aperfeiçoar continuamente automações, assistentes virtuais e AI agents.

Uma arquitetura bem planejada pode direcionar tarefas simples para modelos mais econômicos, reservar modelos avançados para decisões complexas e evitar o envio repetitivo de informações irrelevantes. Também permite estabelecer limites, acompanhar o custo por atendimento e comparar o consumo com resultados concretos.

Contar com uma empresa especializada em IA agêntica faz diferença nesse processo. A Matrix Go desenvolve soluções de inteligência artificial e automação adaptadas aos objetivos de cada negócio, ajudando empresas a reduzir desperdícios, controlar custos operacionais e melhorar o atendimento ao cliente. Para transformar o consumo de tokens em resultados mensuráveis, entre em contato com a Matrix Go pelo telefone 0800 604 5555.

LEIA TAMBÉM: Automação Inteligente de Processos de Negócio com IA: Como Aumentar a Produtividade e Reduzir Custos

Postagens relacionados

Estudo do Google confirma uso de IA como apoio na produtividade

Estudo do Google confirma uso de IA como apoio na produtividade

Os 7 grandes erros de uso de IA na vida e no trabalho

Os 7 grandes erros de uso de IA na vida e no trabalho

IA seus desafios de mensuração de Tokens

IA seus desafios de mensuração de Tokens

Austrália cria limites para IA com regras sobre energia, água e direitos autorais

Austrália cria limites para IA com regras sobre energia, água e direitos autorais

WhatsApp planeja lançar Videochamadas para empresas no API

WhatsApp planeja lançar Videochamadas para empresas no API

Polêmica: IAs decidindo sobre demissões? Entenda o caso.

Polêmica: IAs decidindo sobre demissões? Entenda o caso.