Como "ensinar" Conhecimento Tácito para a IA?

Como “ensinar” Conhecimento Tácito para a IA?

Para funcionar bem no ambiente corporativo, a Inteligência Artificial precisa conhecer o contexto da empresa. Não basta responder perguntas ou automatizar tarefas: uma IA corporativa eficiente deve entender regras internas, fluxos de trabalho, cultura, linguagem, exceções operacionais e padrões de decisão.

Parte desse contexto é relativamente fácil de capturar. Manuais, procedimentos, políticas, bases de conhecimento, históricos de atendimento, documentos comerciais e processos registrados formam o conhecimento codificado da organização. Esse material alimenta a Base de Conhecimento de chatbots, agentes de IA, ferramentas de Conversational AI e sistemas com NLP, permitindo respostas mais consistentes e alinhadas ao negócio.

Mas e tudo aquilo que nunca foi documentado? Aquele know-how que vive apenas na cabeça dos melhores vendedores, analistas, técnicos, gestores e atendentes? É aí que surge o grande desafio: ensinar à IA o conhecimento tácito.

O que é conhecimento tácito?

Conhecimento tácito é o saber que nasce da experiência, da prática e da intuição. É o tipo de conhecimento que um profissional usa quando percebe que um cliente está insatisfeito antes mesmo de ele reclamar, quando um agente de atendimento escolhe a melhor abordagem para acalmar uma ligação difícil ou quando um gestor identifica um risco que não aparece em nenhum relatório.

O filósofo Michael Polanyi resumiu essa ideia de forma célebre: “podemos saber mais do que conseguimos expressar”. Ou seja, muitas vezes as pessoas sabem fazer algo, mas não conseguem explicar completamente como chegaram àquela decisão.

Nas empresas, isso aparece em várias situações. Um colaborador experiente sabe quais clientes exigem mais cuidado, quais exceções fazem sentido, quais palavras funcionam melhor em uma negociação e quais atalhos tornam um processo mais eficiente. Porém, transformar tudo isso em documento, regra ou procedimento é difícil. Parte desse conhecimento é subjetiva, contextual e quase invisível.

A pergunta, então, é inevitável: como a IA consegue captar essa miríade de informações que nunca foi oficialmente registrada?

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Monitoramento: aprender observando padrões reais

Um dos caminhos é o monitoramento. Ao observar padrões de trabalho, a IA consegue identificar comportamentos, sequências e decisões que talvez nem os próprios profissionais consigam explicar com clareza.

Centrais de atendimento são um bom exemplo. Gravações de chamadas, transcrições, registros de tela, tempo médio de atendimento, pausas, reaberturas de chamados e análise de sentimentos podem revelar muito sobre a operação. Uma IA aplicada ao atendimento ao cliente pode descobrir quais abordagens reduzem conflitos, quais respostas aumentam a satisfação e quais sinais indicam risco de cancelamento.

Esse tipo de aprendizado é valioso para chatbots, voicebots, assistentes virtuais e agentes de IA voltados a SAC, suporte técnico, vendas e pós-vendas. A partir de dados reais, a tecnologia aprende não apenas o que foi dito, mas como, quando e em qual contexto determinada ação funcionou melhor.

Um caso da Meta ilustra bem esse movimento. A empresa anunciou um programa para registrar movimentos de mouse, cliques e teclas pressionadas por funcionários, com o objetivo de treinar modelos de IA a entender melhor como pessoas executam tarefas no computador. A iniciativa, porém, gerou reação interna e acabou sendo suspensa, com possibilidade de retorno em formato opt-in.

Esse episódio mostra o outro lado do monitoramento: ele é útil, mas delicado. Ninguém gosta de sentir que está sendo vigiado. Além disso, mesmo o monitoramento mais intrusivo tem limites, porque não captura completamente o raciocínio, a intenção e os julgamentos subjetivos por trás de cada decisão.

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Avaliação humana: especialistas ensinando a IA pelo julgamento

Outro método importante é a avaliação. Em vez de tentar documentar todo o conhecimento tácito, a empresa pode pedir que especialistas humanos avaliem os resultados da IA. Assim, o modelo aprende progressivamente o que é melhor, mais adequado ou mais alinhado ao padrão da organização.

Isso é especialmente importante em tarefas subjetivas. Um código funciona ou não funciona. Já uma resposta de atendimento pode ser tecnicamente correta, mas fria. Uma proposta comercial pode estar completa, mas pouco persuasiva. Um resumo executivo pode ser fiel aos dados, mas inadequado ao público.

Modelos de IA generativa, como ChatGPT e Gemini, usam esse princípio em várias experiências. Em alguns casos, o usuário avalia a resposta. Em outros, recebe duas versões e escolhe a melhor. Esse feedback ajuda a refinar o comportamento da IA, aproximando suas respostas dos critérios humanos.

No ambiente corporativo, esse processo pode ser ainda mais poderoso. Especialistas de atendimento, vendas, RH, saúde, e-commerce ou contact center podem avaliar interações, apontar falhas, aprovar sugestões e orientar ajustes. Assim, a IA deixa de aprender apenas com documentos e passa a aprender com o julgamento prático de quem conhece profundamente o negócio.

IA agêntica e aprendizado contínuo do negócio

Captar conhecimento tácito é fundamental para que a IA compreenda a fundo o contexto de uma empresa. Afinal, muitas organizações sofrem quando um profissional experiente se desliga, muda de área ou se aposenta. Junto com ele, pode ir embora uma expertise que nunca foi formalizada.

A IA ajuda justamente a reduzir esse risco. Ao combinar dados codificados, observação de padrões, feedback humano e aprendizado contínuo, sistemas mais avançados conseguem construir uma camada própria de inteligência operacional. Não se trata apenas de armazenar informação, mas de aprender como a empresa decide, atende, vende, prioriza e resolve problemas.

É nesse ponto que plataformas de IA agêntica, como o Morpheus, ganham relevância. Diferente de soluções que apenas respondem a comandos, agentes de IA corporativos podem operar com memória, contexto, integração com sistemas, regras de negócio, avaliação contínua e auto-otimização. Com isso, refinam sua atuação com base no uso real e constroem, progressivamente, seu próprio entendimento tácito da operação.

Se o desafio da sua empresa é transformar conhecimento disperso em inteligência aplicável, as soluções de IA e automação da Matrix Go podem ajudar. Com plataformas como o Morpheus, é possível estruturar bases de conhecimento, automatizar atendimentos e tarefas, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do cliente com agentes inteligentes que aprendem continuamente sobre o seu negócio. Fale com a Matrix Go e descubra como evoluir sua operação com IA corporativa: 0800 604 5555

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